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O que explica o fato deste músico daqui do interior do país ter virado um ícone musical? Diego, que eu havia conhecido ainda garoto, tem uma explicação: "Olha, eu estudava diariamente 8 horas todos os dias e isso durante 12 anos seguidos, não é só talento, é luta", ele diz com humildade. Seu pai (geólogo Ênio Figueiredo) lhe deu um bandolim quando ele tinha só 6 anos, sua mãe (Rachel Ribeiro Figueiredo) é uma exímia pianista, isso também explica o fenômeno do jazz e da música instrumental (em especial guitarra e violão, ele toca também outros instrumentos), esse artista de Franca e do Brasil se transformou aos 45 anos numa lenda internacional, tem se apresentado em vários lugares do mundo. Com um detalhe: sem cantar. "O som instrumental é uma linguagem universal, até lá na China o público vibrou muito sem eu cantar nem uma só palavra". Ele não canta por opção, embora seja afinado, no dia a dia canta letras de que gosta, como as de Belchior, do Chico Buarque, do pessoal da Bossa Nova, do Renato Teixeira, no palco, só puro som, uma espécie mais romântica de Jimmy Hendrix. E foi assim que recentemente, há um ano, ele se apresentou no Carnegie Hall, o maior templo mundial da música nos States, onde também ali se consagraram nos anos 60 e 70 Tom Jobim, João Gilberto, Elis Regina. Assim também por 2 vezes foi premiado no Festival de Montreaux na Suíça, indicado também para o Grammy mais de uma vez. Já está chegando à gravação do seu 30º disco no exterior e cita parceiros de palco ou de gravações como Jorge Benson, Stanley Jordan, Cirile Aymée, John Clayton, Roberto Menescal, Bôscoli, dezenas de instrumentistas, em cada lugar do planeta em que se apresenta forma trios jazzísticos, sempre divulgando músicas brasileiras: "Nas apresentações seja na Islândia ou onde for a plateia me pede sempre para eu interpretar canções do Brasil, foi assim no Japão, me pediram, toca Raul, toca Raul!". Ele diz amar o rock e o country do Raul Seixas, as canções da Rita Lee. Agora, por uma sugestão, ele está tirando "Saudade do Brasil", uma das últimas composições de Tom Jobim, meio desconhecida, só instrumental, "curto também clássicos de Beethoven, Bach, Villa Lobos". Algo emocionante para Diego é que no seu 30º disco o seu irmão, também guitarrista vai fazer o contrabaixo. Tácio Figueiredo é outro talento musical de sua família (guitarrista da banda Rock Paradise), só agora surgiu a chance dos dois tocarem juntos. Diego Figueiredo tem também 2 irmãs, a advogada Isabela e Graziela, que vive hoje na Suécia. Ele mesmo passa só de vez em quando por Franca (SP), sua cidade, para facilitar a agenda de shows atualmente reside em Sarasota, na Flórida, perto de Tampa: "Por lá cuidam bem da natureza, nos States há parques maravilhosos como Grand Cannyon, abertos, não exploram o turismo ecológico, eu também fiquei encantado com a condição de vida na Suécia, na Noruega, desenvolvimento humano".
Fazer música é mais que um trabalho - Para Diego Figueiredo o que ele faz é uma missão, impactar as pessoas com a música num tempo de violências, guerras, problemas ambientais, sofrimentos, "fazer as pessoas vivenciarem a emoção da música é uma alegria, creio que é uma bênção divina levar esta arte". Ele cuida muito dos seus instrumentos e dos seu dedos também, "desenvolvi uma técnica pessoal de acordo com a anatomia dos meus dedos para que eu consiga fazer alguns sons, como a técnica do polegar". Em setembro, pode ser que Diego venha se apresentar no Sesc Franca e também em Patrocínio Paulista, nesse caso, ao lado de Renato Teixeira e de Luciana Mello (black music). Projeta fazer parte dum documentário dentro do esquema Proac, quem sabe crie um tema de 30" para a série "SOS Ecologia", ele que adora fazer de vez em quando coisas que não são business, apresentações para crianças e adolescentes, "o poder socializante do violão é maior ainda para essa geração da Internet". Já está se preparando agora para mais uma viagem à América do Norte, "meu destino é tocar por aí em todo o mundo e com o som emociono e ajudo as pessoas a irem em frente nas suas vidas e desafios da realidade que hoje em dia são muito grandes".
(Reportagem de Padinha, fotos de Márcio Duarte)
