Neste sábado, 5, a reportagem do Portal Franca 24 Horas teve acesso a uma carta escrita por Alberto Nunes Rodrigues Neto, de 26 anos, que matou Thainara Aparecida dos Reis, de 22 anos, que era namorada da ex-mulher dele, Jéssica Gomes dos Santos, de 26 anos. Na carta entregue aos familiares, Alberto contou detalhes dos crimes. Mensagens pelo aplicativo Whatsapp mostram conversas de Jéssica e Alberto em relação a Thainara. 

Veja abaixo na íntegra o que ele escreveu na carta

Eu Alberto Nunes Rodrigues Neto declaro por esta carta a narração dos fatos sobre o ocorrido.

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Alguns dias antes do acontecido conversei com a então nos dias anteriores minha esposa Jéssica Gomes dos Santos. Conversamos por ligação via Whatsapp e ela demonstrava grande preocupação com uma situação que prejudicaria sua vida social e sua relação com seus familiares. Perguntei a ela o que estaria acontecendo pois me preocupava muito com ela e com o nosso filho, mas diante a gravidade da situação só poderia conversar comigo pessoalmente.

Diante disto indaguei a ela que seria bom ela vir e passar algum tempo comigo e esclarecer o que aconteceu para que eu a pudesse ajudar.

No dia que fui buscá-la não recordo a data por falta de acesso a um calendário, mas me lembro que foi numa quinta-feira de manhã. Quando estávamos vindo de carro ela começou a me dizer o que havia acontecido.

A Jéssica me disse que não sabia mais o que fazer, pois a amante que ela estava se relacionando quando descobriu a traição começou a ameaçá-la dizendo que divulgaria a todo mundo o envolvimento das duas se ela não voltasse para Franca para ficar com ela.

Quando eu ouvi o relato dela disse para ela esquecer isso e seguir a vida numa boa, mas ela disse que não é que isso a prejudicaria muito e que seus pais ficariam desapontados com ela e que tinha medo do que os outros iriam pensar dela.

Ela então me disse: “Você me ama muito como você diz?” Então respondi que sim a amava muito.

Ela então novamente me falou: “Então preciso de uma prova de amor para que a gente fique juntos novamente”. Eu disse que faria tudo por ela e meu filho.

Então ela me falou que a gente teria que dar um jeito de silenciar aquela mulher, porque ela não permitiria que ficássemos juntos. Ela me disse que tinha um plano, como eu trabalhava à noite e teria um horário perfeito, ela atrairia aquela mulher novamente ao meu apartamento e a gente a mataria e a desmembraria e colocaria dentro da mala grande de viagem que ela trouxe.

No dia do acontecido peguei o carro e me desloquei até o meu apartamento para fazermos o que ela tinha me dito. Quando cheguei até o apartamento abri a porta com cuidado, e a Jéssica já estava acordada e aquela mulher dormindo. Ela me disse por sinais para fazer silêncio. Ela então me entregou uma faca e disse para começar, mas, por quando peguei a faca muito rápido e acabei cortando a mão dela, já gritou e acabou acordando aquela mulher. Então aquela mulher levantou e partiu para cima de mim. E começamos a lutar e a golpeei algumas vezes.

No momento que brigava com ela a Jéssica foi no meio para tentar segurar aquela mulher, mas acabei a acertando no ombro se não me engano, então ela saiu e entrou no nosso quarto, e continuei a golpear aquela mulher foi onde ela deu alguns gritos e caiu no chão. Foi então que a Jéssica me perguntou se ela estava morta e me trouxe a machadinha para terminar o que começamos. Então eu peguei a machadinha para e disse que não teria como mais porque os vizinhos deveriam ter ouvido os gritos e que eu teria que sair dali. Ela então disse que eu teria que fugir para longe dali.

Ao sair com o carro recebi uma mensagem da Jéssica me pedindo para que não contasse para a família dela, e algumas horas depois me pediu para deixar o condomínio para que ela tirasse uma máquina para vender pois precisava de dinheiro.

DEFESA DE ALBERTO

Por meio de nota, a defesa de Alberto Nunes esclareceu que tomou conhecimento integral dos fatos somente no dia 4 de agosto de 2026. Até então, Alberto havia omitido parte das informações por, segundo ele, desejar preservar a genitora de seu filho.

Após perceber que fatos relevantes poderiam ter sido distorcidos, Alberto autorizou a defesa a ter acesso a uma carta deixada com um de seus irmãos, cujo conteúdo traz novos elementos sobre o caso.

Diante da gravidade das informações, a defesa entende que elas podem alterar a dinâmica do processo e devem ser devidamente investigadas pelas autoridades competentes, sem antecipação de conclusões.

DEFESA DAS DUAS MULHERES

A reportagem do Portal Franca 24 Horas não conseguiu contato com a defesa de Jéssica e da família de Thainara. O espaço fica aberto aqui para os pronunciamentos.

OS CRIMES

O homicídio e a tentativa de feminicídio aconteceram na madrugada do dia 5 de agosto, uma quarta-feira, no condomínio Spazio Frankfurt, localizado na rua Irmãos Antunes, no Jardim Guanabara, na zona norte de Franca.

A motivação dos crimes seria um relacionamento amoroso entre Jéssica Gomes dos Santos, de 26 anos, ex-mulher de Alberto e Thainara.

Os crimes aconteceram por volta das 2h30. Equipes de resgate e da Polícia Militar foram acionadas para atenderem a ocorrência. Thainara foi socorrida para a Santa Casa com ferimentos graves no braço esquerdo, pescoço e rosto. Jéssica também foi atingida, mas segundo informações não corre risco de morte. O filho do casal que teria presenciado tudo, passa bem.

Thainara morreu na Santa Casa de Franca. Alberto, que esfaqueou as duas jovens, fugiu em um carro, mas no dia 10 de agosto se entregou à polícia e foi recolhido na cadeia devido a prisão temporária que havia sido decretada.