Uma prima de um paciente com câncer em estado avançado, está reclamando do descaso no atendimento na saúde pública da cidade de Franca. A mulher relata a falta de efetividade no tratamento do tumor no rosto do familiar.

Segundo Márcia Ribeiro, de 54 anos, prima de Alexandre Donizete Batista, de 46 anos, morador do Jardim Paulista, conta que o familiar tem HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) e foi diagnosticado com um câncer maligno em 2022, após o surgimento de um caroço no lado direto da testa. Em 2023, Alexandre fez a cirurgia para retirada do tumor, mas meses depois surgiram mais dois caroços em seu rosto. Márcia conta que o primo passou diversas vezes por atendimento médico no Hospital do Câncer de Franca, sem nenhum resultado efetivo até o tumor infeccionar. “Somente depois de muito tempo com o tumor infeccionado o médico receitou um antibiótico, isso é um absurdo”, explica a familiar.

Além disso, Márcia se revolta pelo fato do primo não ter tido um tratamento adequado. “Como deixaram o câncer se espalhar por todo o seu corpo sem antes ter feito uma radioterapia ou uma quimioterapia?”, questiona a mulher. Para realização da cirurgia de retirada dos tumores, Alexandre precisava fazer o exame de tomografia, no qual, Ribeiro conseguiu agendar somente para dezembro na rede pública de saúde. Por causa da urgência em realizar o exame o quanto antes, a prima de Alexandre organizou com a ajuda de amigos uma vaquinha para pagar os custos da tomografia em um hospital particular, mas foi informada pela rede que se realizasse o exame em uma unidade particular vinculada ao Hospital do Câncer correria o risco de perder todo o tratamento oncológico pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

Devido ao descaso e demora no atendimento de urgência, Márcia foi orientada por advogados a procurar o Ministério Público e relatar todo o ocorrido ao promotor. Após a repercussão do caso nas redes sociais, Alexandre conseguiu realizar o exame de tomografia no último dia 6 no Hospital do Câncer de Franca e somente após o resultado do exame será possível analisar a possibilidade do paciente realizar a quimioterapia e radioterapia. Possibilidade que já deveria ter sido analisada antes da evolução da doença, segundo familiares.

De acordo com o laudo de outros exames, juntamente com o relato do médico, devido a gravidade do tumor, Alexandre não pode passar por cirurgia porque correria o risco de não sobreviver. Segundo Márcia, o laudo também informa que o câncer se espalhou pelo corpo do primo, atingindo órgãos importantes como o fígado, os rins, pâncreas e a garganta.

Alexandre está em cuidados paliativos e convive com as fortes dores e hemorragias causadas pelos tumores, além de tomar muitos medicamentos e morfina para conter o sofrimento. Atualmente o homem mora com a prima no Jardim Seminário, onde recebe todos os cuidados necessários.

Por meio de nota, a Secretaria da Saúde de Franca informou que o paciente, Alexandre Donizete Batista, está inserido na Rede Hebe Camargo, e desde janeiro de 2023 é acompanhado pelo Hospital do Câncer de Franca. No entanto, a nota esclarece que após início do tratamento do paciente no Hospital do Câncer, os procedimentos não retornam para autorização ou agendamento da Secretaria de Saúde, tendo em vista que trata-se de hospital de gestão estadual.

Já o Complexo Santa Casa, responsável pelo Hospital do Câncer, informou que após a cirurgia de retirada do primeiro tumor realizada no dia 28 de março de 2023, o paciente recebeu todas as orientações e retorno agendado para 30 dias depois do procedimento, onde o mesmo retornou ao atendimento médico para avaliações e orientações. Entretanto, foi agendada a segunda consulta marcada para 30 dias, após o primeiro retorno, no qual o paciente não compareceu ao atendimento.

A instituição relatou que um novo atendimento foi registrado somente em fevereiro de 2024, quando retorna com uma piora na lesão, sendo solicitados exames para nova avaliação de gravidade da doença. Os exames foram feitos nos meses de maio e junho, quando é solicitado um novo tratamento cirúrgico. O Hospital ainda informou que a cirurgia prevista para setembro deste ano não foi possível ser realizada após a avaliação médica constatar que a falta de tratamento domiciliar do problema oncológico e por questões clínicas desfavoráveis com alto risco de vida, impediu a realização da cirurgia, sendo o paciente encaminhado para tratamento clínico.

A instituição ainda informou que Alexandre tem recebido continuamente atenção integral, humanizada e respeitando todos os protocolos médicos relativos ao seu quadro clínico.

Márcia registrou imagens, onde o primo conta sobre o seu estado de saúde, após ter perdido a visão do olho direito, assista.