Familiares de uma sapateira, de 59 anos, que morreu após o agravamento de um tromboembolismo pulmonar, registraram um boletim de ocorrência na CPJ (Central de Polícia Judiciária), relatando um suposto erro médico no receituário elaborado por uma médica da Santa Casa de Franca.

Segundo informações do boletim de ocorrência, o filho da sapateira, Marlene do Rosário Silva, relatou que a mãe realizou uma cirurgia de histerectomia no dia 15 de dezembro, na Santa Casa, recebendo alta médica no dia 17. No dia 29 do mesmo mês, Marlene retornou ao hospital para a retirada dos pontos. Conforme consta no registro, ela recebeu medicação para sete dias. No dia 3 de janeiro, Marlene passou mal e foi levada ao pronto-socorro "Doutor Álvaro Azzuz", onde não resistiu. De acordo com o familiar, a equipe médica do pronto-socorro questionou se a paciente estava fazendo uso de anticoagulantes. Diante do questionamento, o filho estranhou o fato de o medicamento não ter sido prescrito.

Ainda segundo o boletim, durante o velório, o filho da vítima voltou a ser questionado sobre a ausência do uso de anticoagulantes, em razão da causa do óbito. Após verificar o receituário, ele afirmou não ter localizado a prescrição do medicamento, levantando a suspeita de um possível erro médico por parte da médica responsável. Os familiares de Marlene registraram o boletim de ocorrência e informaram que devem acionar a Justiça e os órgãos competentes para apurar o possível erro médico. Na Polícia Civil, o filho apresentou o receituário, o resumo de alta hospitalar e a certidão de óbito. Marlene residia no Jardim Boa Esperança, era conhecida no bairro e tinha muitos amigos.

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Por meio de nota, a Santa Casa de Franca esclarece que o uso de remédios anticoagulantes não é uma regra para todos os pacientes. Esses medicamentos só são usados em casos específicos, após uma análise detalhada do quadro clínico de cada paciente. A instituição explica que no caso em questão, a paciente era saudável e não tinha doenças prévias. No entanto, ao avaliar o risco de formação de coágulos, a classificação foi moderada. Segundo a Santa Casa, para esse nível, a recomendação médica padrão é apenas estimular que a pessoa volte a caminhar o quanto antes, sem a necessidade de remédios para usar em casa. Além disso, em cirurgias de grande porte, o uso desses medicamentos aumenta o risco de sangramentos graves. Por isso, a decisão de medicar deve ser muito cuidadosa. Ainda em nota a instituição reforça que todos os passos seguiram as normas médicas e estão registrados no prontuário. A Santa Casa concluiu a nota informando que está à disposição das autoridades para qualquer esclarecimento.